
Presente de Aniversário
17 Maio, 2008
Acho que foi no meu aniversário de oito ou nove anos, não lembro ao certo, mas eu estudava na sala azul do colégio de Pró Conchita, o Santo Antonio de Pádua. É eu completava nove anos mesmo, lembro agora porque no colégio de Pró Conchita as séries eram divididas pela cor da sala e eu estava na terceira série, a sala era azul. Ou seria verde? Bom, isso não é relevante. Naquela época eu dividia meus amigos em melhores amigos da escola, e melhores amigos da rua, do clube e de tudo que é lugar que frequentasse. Eu tinha muitos melhores amigos e para não desmerecer ninguém eu dividia.
Minha melhor amiga do colégio, colégio não, colégio era para adolescente, eu não me lembro o nome dela, acho que era Luana, Luara, Laíla! O nome dela era Laíla. Eu gostava muito de conversar com ela. Eu ia à casa dela e tudo! Lembro que a casa dela era bem simples, era escura, disse eu lembro bem. No dia do meu aniversário, Laíla pediu a mãe para brincar comigo lá na rua que eu morava. Sua mãe tinha uma cara feia, vivia mal-humorada, lembro que também era muito rígida, para não dizer grossa, com as filhas, acho que por isso era tão feia. Mas ela deixou Laíla e a irmã mais nova irem. Foi muito legal, brincamos a tarde toda.
Minha mãe tinha dito que a noite a gente ia para pizzaria, porém não era para chamar ninguém, pois meu pai estava em dinheiro. Tudo bem, embora eu quisesse ir com meus amigos todos, eu entendi. Expliquei a Laíla o fato e ela também não ligou muito, sabia como era ter pouca grana.
Meu pai chegou em casa, anoitecia já, eu ainda brincava com meus melhores amigos da rua e da escola, mas Laíla tinha que ir para casa. Eu não queria, ainda estava cedo, mas do jeito que a mãe dela era. Ela achou melhor ir. Disse a ela para ir e pedir a mãe para ficar um pouco mais, ela morava na outra rua, era pertinho. Então ela foi. Antes de ela voltar, eu ainda estava brincando com meus outros amigos, quando minha mãe apareceu. Ainda não sei por que ela fez isso, minha mãe nunca demonstrou esse tipo de comportamento, mas me pareceu que ela não queria que minha amiga da escola fosse, pois foi só Laíla sair, para minha mãe chamar todo mundo para ir à pizzaria. Laíla chegou bem na hora… Eu me lembro até hoje do rosto de decepção dela. Acredito que pensou que era porque ela era negra ou porque era pobre, eu realmente não sei se não foi apenas um mal entendido. Não consegui esclarecer as coisas. Ela não quis mais falar comigo. Perdi minha amiga naquele dia, mas aprendi através dos olhos lacrimejadas dela a dor que causa o preconceito, e a não querer isso mais em minha vida de sob nenhuma forma.