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Tum, tum, tum…

10 Maio, 2008
Não é para ser advogado do diabo não, mas vida de teleoperador não é fácil. Imagine atender mais de 100 ligações por dia, repetir seu nome 200 (ninguém nunca ouve da primeira vez que se fala), ouvir reclamação de gente que em 90% dos casos reclamam porque não procuraram saber antes de comprar pelo que estavam pagando, de pessoas que acham que você está errado porque a informação que você passa não as favorece, e elas não têm a noção de quantas vezes você responde a mesma coisa todo dia.


Eu sou cliente e só ligo para callcenter se não tiver outro jeito, tipo bloquear meu cartão de crédito por roubo, fora isso eu utilizo todos os outros canais de informações possíveis. Mas cliente é burro. É burro mesmo. Cliente acha que se ameaçar o operador seu problema vai ser resolvido. Besta, aí é que não vai ser mesmo (risos). Cliente deixa de ganhar as coisas porque é burro. Veja só! Eu vou ameaçar uma pessoa dessas? Ele tem meu CPF, meu RG, meu endereço. Nunca soube! Eu não estou nem levando em consideração as certas abobrices. Olha a reprodução de um atendimento do qual eu fui testemunha:


“Bom dia Sr. José. Em que posso ajudá-lo?”

“Eu fiz uma recarga de 16 reais e ganhei 16 reais de bônus. Por quê?”

“Bom, a recarga de 16 reais concede 16 reais de bônus.”

“Eu pensei que ia ganhar 100 reais.”

“Não Sr. José a de 26 reais concede 100.”

“Eu pensei que a recarga de 16 dava 100 reais.”

“Não, a recarga de 16 concede 16. A recarga de 26 concede 100.”

“Eu pensei que a recarga de 16 dava 100 reais.”

“Não, não. A recarga de 26 concede 100. A recarga de 16 concede 16.”

“Aah, mas eu pensei que a recarga de 16 concedia 100 e não 16.”

“Unh, mas Sr. José a recarga de 16 concede 16; a 26 concede 100 a de 35 150 e assim por diante.”

“É né? Mas eu pensei que a recarga de 16 dava 100 real de bônus!”

Nove minutos e 47 segundos depois…

“Sr. José! O SENHOR QUER MAIS ALGUMA COISA?”

“Não, eu só queria saber se 16 reais não dava 100 reais de bônus.”


Tem mais. Veja só essa Senhora:

“Boa Noite, em que posso ajudar?”

“Ô minha filha… É que já me comeram cinco vezes só hoje. Eu não agüento mais. Vê se você pode me ajudar.”

“Como Senhora?”

“Meu crédito minha filha, toda vez que meu marido põe no celular alguém me come um pouquinho.”

“Aaah, sim… Só um momento.”

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